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MAC Entrevista

May Mac Dowell nasceu em Campinas (SP), mas vive desde os 14 anos no Rio de Janeiro. A cidade, palco de muitas de suas obras, é uma de suas paixões, assim como o Fluminense Futebol Clube, os livros de arte e os discos de ópera. Jornalista e escritora, May formou-se pela PUC, fez estágio no Jornal do Brasil e trabalhou na TVE, onde idealizou o JJ - Jornal Jovem.

É acadêmica da ANLA - Academia Nacional de Letras e Arte do Brasil e da AELB - Academia Evangélica de Letras do Brasil. May também faz parte da REBRA - Rede de Escritoras Brasileiras.

May Mac Dowell participou de várias antologias de contos também é autora também do livro de contos Culpa em dois tempos e do infantil Varinha de condão .

Senhora do tempo , seu último livro publicado e que marca a incursão pelo gênero de romance, lhe rendeu o prêmio Geraldo França de Lima, concedido pela União Brasileira de Escritores. Outra obra premiada pela mesma instituição foi O olho da Luz.

A equipe do site Mac Shopping esteve com May MacDowell em seu apartamento, no charmoso bairro de Ipanema, para um bate-papo exclusivo. Apesar de fazer mistério sobre seu próximo livro - "Só posso dizer que será bem rico em ilustrações" -, May conta em detalhes o que pensa dos jovens de hoje e fala de sua paixão pelas letras. "Planejo escrever até o último dia de minha vida".

Por Carol Herling

 


1. Como se dá o processo criativo de um novo livro?
Quando começo um livro, nunca sei o final. Isso foi um problema na hora de escrever meu primeiro romance, Senhora do Tempo . Cada obra nasce naturalmente, todas elas foram concebidas com base na minha essência pessoal. E cada um dos personagens tem um pouco de mim. Faço, inclusive, aulas de psicanálise para poder delinear o perfil de cada um deles.

2. Como é a sua rotina de trabalho?
Costumo escrever à noite, e trabalho cerca de 8h a 10h no mínimo por dia. Considero-me "terrivelmente perfeccionista", e me incorporo ao livro a ponto de esquecer absolutamente tudo. Além disso, faço aulas de português até hoje para escrever bem e também participo ativamente da revisão de cada livro junto de uma professora de português.

3. Você acredita ter algo de espiritual na criação de um livro?
Sou presbiteriana. E acredito que Deus está em tudo o que eu escrevo.

4. Qual o seu maior prazer ao concluir um livro?
Confesso que quando acabo um livro eu sinto uma sensação de alívio! Mas o que deixa satisfeita mesmo é quando uma pessoa me procura para falar de um livro. Procuro tratar meus leitores com carinho, faço até aulas de caligrafia para escrever bem as dedicatórias!

5. Como foi o seu primeiro contato com a literatura?
Eu aprendi a ler aos 4 anos de idade, pois meu irmão era asmático e minha mãe o ensinava em casa. Mas escrevo desde os 10 anos, só que nunca tinha me dedicado totalmente. Sempre contei histórias para os meus filhos - que reuni, anos depois, no livro Varinha de Condão -, mas a literatura só se transformou em atividade depois que meus filhos chegaram à adolescência e eu cursei a faculdade de jornalismo.

6. Falando em adolescentes... Qual a sua opinião sobre a educação dos jovens hoje?
Os jovens simplesmente não sabem ler. Saber ler é quando você traz para dentro de si o que o autor quer dizer. Tenho sorte, pois desde criança fui habituada não só à literatura, mas também à música e ao canto. O que eu acho é que falta o prazer de ter um livro em mãos. Hoje não precisamos nos preocupar com o acesso às informações, mas ainda assim falta leitura.

7. Você acha que esse problema se estende às gerações mais novas?
Meus netos, por exemplo, afirmam que não gostam de ler... e o pior é que eu sinto que não adianta tentar barganhar com eles. Mas falta, sim, uma educação de base para "obrigar" as crianças a ler, além de estímulo para não deixar a criança se limitar apenas ao que é ensinado na escola. Por outro lado, a criança de hoje é muito imaginativa... O livro de contos infantis que eu escrevi há 25 anos atrás não serve para as crianças de hoje.

8. Você tem algum novo projeto em mente?
Sim, estou preparando um novo livro, que será rico em ilustrações. Por enquanto é só isso o que posso contar!

9. Até quando você pretende escrever?
Até o último dia de minha vida!

 

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