Entrevista - Édio Fernandes
Por Carol Herling
1. Defina em três palavras Édio Fernandes.
Garra, persistência e comunitário.
2. Como você chegou a presidente da Associação Amigos do Estreito?
Sou nativo do Estreito desde que nasci, há 50 anos; sou um legítimo Tripeiro do Estreito [denominação do Estreitense nato]. Nesse tempo inteiro, eu testemunhei a transformacao do Estreito de um bairro para uma verdadeira cidade: com pontos de referência na prestação de serviços, comércio varejista e atacadista forte, oficinas mecânicas e lojas de veículos, sem contar a nossa comunidade: ordeira, trabalhadora, que valoriza o bairro, o seu lugar. 
Acompanhando de perto a história do bairro, sempre tive a preocupação de valorizar a nossa gente, pelos seus sacrifícios, as suas aspirações, ajudar a procurar um norte, que com certeza ele está muito próximo. E por conta disso eu participei, junto a comerciantes e moradores, da fundação da Associação Amigos do Estreito, que funciona como porta-voz de tudo o que o Estreito necessita. Fui eleito Presidente no biênio 2004 e 2005, reeleito para o biênio 2006 e 2007.
3. Nesse tempo todo, quais as principais mudanças que você pôde perceber na realidade do bairro?
Até a década de 70, o fluxo de pessoas que se deslocava para locais como Biguaçú e São José, passava, necessariamente, pelo Estreito, e isso movimentava a região. Com a construção da Av. Ivo Silveira e da Via Expressa, o Estreito decaiu muito, perdemos aquele movimento constante que possibilitava empregos e dividendos para a comunidade e Prefeitura. Mas agora, com a implantação da Beira Mar Continental, o bairro voltou a ser um ponto de referência não só para o continente, mas para todo o município de Florianópolis, com possibilidade de termos mais dois empreendimentos importantes, a ampliação do Estádio do Figueirense para a Copa de 2014 e o Porto no Balneário, onde aí sim, o Estreito estará no lugar que merece, ser valorizado pelos 40% de tributos da Prefeitura.
4. Como você ingressou no jornalismo?
Sou do signo de Áries, agitador, batalhador, sempre gostei de desafios, e o jornalista é tudo isso. Assim que terminei o 2° grau em 1982, tentei vestibular para jornalismo na UFSC; mesmo não passando, ingressei como funcionário da antiga Rádio Santa Catarina, onde tomei gosto pelo jornalismo; posteriormente, passei pela NET, RBS, Diário catarinense e outros veículos de comunicações e iniciativa privada. Atualmente, possuo o site www.jajafloripa.com.br, onde divulgo os eventos do Estreito e Continente, as reuniões comunitárias, as empresas (comercialmente) e notícias de utilidade pública. Outro veículo de comunicação que possuo é o jornal Notícias do Estreito, de periodicidade mensal, aonde enfocamos as potencialidades do Estreito e Continente, o novo Plano Diretor Participativo da cidade, Segurança, Moda, Gastronomia, fotos antigas do Estreito, colunas sociais, utilidade pública, saúde, esporte e variedades em geral.
5. Como você avalia a importância de se realizar trabalhos em prol da comunidade?
Realizar um trabalho comunitário no Estreito é algo diferencial, pois todos sabem que o bairro sempre foi deixado de lado, e quando você faz algo que vai beneficiar a comunidade e percebe de como aquela benfeitoria preencheu o ego daquela pessoa, contribuiu para melhorar a qualidade de vida e sabedor que o teu trabalho surtiu resultado, é contagiante, nos coloca na condição de realmente continuar estes trabalhos.
6. Que tipos de ações um cidadão comum pode desempenhar para melhorar o bairro ou até a cidade aonde vive?
Participar efetivamente das reuniões comunitárias, das audiências públicas, reivindicar junto aos
órgãos públicos as melhorias que a comunidade necessita, é um bom começo, assim como a construir os Planos Diretores, tanto na leitura comunitária, como na convocação de outros membros da comunidade para termos uma participação maior, uma participação de todos os integrantes daquela comunidade, para aí então termos os resultados que todos esperam.
7. Como é o envolvimento da comunidade do Estreito para com as atividades, problemas e cotidianos do bairro?
Devido ao descaso do Poder Público para com a parte Continental de Florianópolis, a participação da comunidade ainda não é o esperado, mas agora com as melhorias que o Estreito e o Continente estão recebendo, as coisas estão mudando. Um grande exemplo disso é a própria Associação Amigos do Estreito, que é participativa, convocando e contagiando a comunidade, fazendo com que eles realmente participem, para termos um norte que todos esperam.
8. O que você acredita que possa ser feito em termos de melhorias no Estreito para melhorar a qualidade de vida da população?
Em primeiro lugar, a composição da Associação Amigos do Estreito, integrada por comerciantes e moradores antigos do bairro. Em segundo lugar, as nossas lutas históricas como a liderança para não implantação da Central de Polícia, o famoso Cadeião, onde a população foi convocada e compareceu para que não permitisse a instalação de uma unidade prisional na rua Santos Saraiva, em pleno coração do Estreito. Em terceiro lugar as pequenas obras, reivindicadas junto a Secretaria do Continente, para melhorias das praças, limpeza de terrenos baldios, tapar buracos nas ruas e calçadas, reuniões com a Secretaria de Saúde para reivindicar remédios que a população necessita, exigir o saneamento básico dos órgãos competentes, enfim, todas as melhorias que a comunidade necessita, e por ser um líder comunitário, sinto-me na obrigação de reivindicar.
9. Como você avalia a presença do Mac Shopping no contexto comercial da região? Nos últimos dez anos, qual a contribuição que o Mac Shopping deu em termos de opções de compras, lazer e empregos?
O Mac Shopping foi o primeiro shopping do Estreito, e por ser o primeiro, tornou-se novidade, com opções até então ausentes no bairro. Com uma localização excelente, variedades de produtos, com uma praça de alimentação que se tornou ponto de encontro da comunidade, áreas de lazer e o que é muito importante, EMPREGOS, esta palavra tão pequena e simples de falar, mas com um significado que o Mac Shopping soube proporcionar a tantas pessoas, não só do Estreito, mas de outros municípios, pois a diversidade de pessoas em seu quadro de empregados é grande.
Na minha avaliação, o Mac Shopping deu outra dinâmica ao cotidiano do bairro, proporcionando grandeza que o Estreito merece.
10. E como você avalia o crescimento do bairro durante o período em que você vive nele, em termos de comércio, população e opções de lazer e de entretenimento?
Em termos de comércio o Estreito é excelente, pois a diversidade sempre foi forte e é muito mais agora com os novos empreendimentos que estão por vir, como a Beira Mar Continental,
Porto no Balneário, Estádio do Figueirense para a Copa de 2014, a construção civil está voltada para o Estreito e outras obras que com certeza virão. O Estreito é o bairro mais populoso de Florianópolis, com seus 70 mil habitantes, e por isso necessita de uma política de programas sociais mais abrangentes, acompanhando assim o seu crescimento. Com relação às opções de lazer e entretenimento, as opções são poucas devido ao crescimento desordenado do bairro. Mas agora, com este novos empreendimentos, as coisas com certeza darão um salto enorme, proporcionando assim mais opções.
11. Você acha que existe algum desprestígio por parte da Prefeitura com o bairro por ele estar antes da ponte?
Não é que haja desprestígio, o que acontece é a ótica de como é visto não só o Estreito, mas o Continente como um todo. Sabemos que as melhores praias estão na Ilha, os melhores colégios estão na Ilha, os melhores restaurantes estão na Ilha, os melhores Shoppings estão na Ilha, as melhores estruturas estão na Ilha... entretanto, eu acho que agora a coisa vai mudar, pois chegou a nossa vez. Com estes novos empreendimentos, com certeza a Prefeitura irá olhar com mais atenção para esta parte tão importante da Capital de todos os catarinenses.
12. Quais suas expectativas para o bairro nos próximos 10 anos?
O Estreito e o Continente serão as áreas mais importantes de Santa Catarina, pois o progresso chegou... mas que esse progresso seja sustentável, sem queda na qualidade de vida e com aumento no número de empregos, em segurança.