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MAC Entrevista

Andréa da Luz é Engenheira Química e Jornalista, fã de cosméticos, moda e história da África.

Agora, também é blogueira e escreve sobre uma de suas paixões, os cosméticos. "Sempre fui louca por cosméticos, desde criança", afirma. Seu espaço na Internet tem um nome sugestivo: Não Vivo sem Cosméticos.


Para quem gosta do tema, um prato cheio. Para quem busca informações, essencial.

Confira a entrevista exclusiva, e se ficar curioso, acesse o blog: www.naovivosemcosmeticos.blogspot.com

Por Carol Herling

 

1. Defina em três palavras quem é Andréa da Luz.
Jornalista, engenheira química e hiperativa.


2. Como surgiu a idéia de ter um blog voltado para a beleza, mais especificamente, para o uso de cosméticos?
Sempre fui louca por cosméticos, desde criança. Quando cursava Engenharia Química queria me especializar em Cosmetologia e só não fiz isso ainda porque mudei de área (Jornalismo) e porque continua faltando grana para ir para SP, onde estão os melhores cursos. Então, minha diversão sempre foi ler, pela internet ou nas revistas, tudo que saía de lançamento de produtos, características e benefícios para a pele, cabelos, corpo. O blog me permite escrever sobre o assunto e continuar "ligada" nesse mercado. Quem sabe ainda surja a oportunidade de trabalhar na área...


3. Quem visita o seu blog encontra geralmente o que? Suas impressões sobre cosméticos, dicas de beleza...?
Procurei não fazer um blog muito pessoal. Geralmente as pessoas usam esse recurso quase como um diário, um espaço para escreverem sobre si mesmas. Trago informações sobre lançamento de produtos, dicas de beleza, entrevistas com pessoas da indústria e de associações que as representam, oportunidades de negócios (franquias, por exemplo), resultados de pesquisas científicas, o que está na moda ou não, algumas impressões pessoais sobre produtos. Mas quero aperfeiçoar dividindo o conteúdo por assunto, participando de alguns eventos e acompanhando um pouco mais do mercado internacional.


4. Qual a periodicidade de atualização do seu blog? Você faz pesquisas, entrevistas, ou é tudo baseado em suas experiências pessoais?
Diária. Sim, faço pesquisas pela internet, seleciono material enviado pelas assessorias de imprensa quando acho informações interessantes para os consumidores ou investidores, entrevistas com profissionais da área, leio folhetos de farmácias, vejo anúncios na TV, desfiles de moda que ditam tendências em maquiagem, tudo que esteja ligado à área pode virar assunto do blog. Minhas experiências pessoais só entram quando são relevantes ou podem estimular as pessoas a comentarem o assunto.


5. Como você avalia o mercado de cosméticos no Brasil? Comparando com os últimos 10 ou 15 anos, qual o grau de evolução que você acha que o segmento alcançou no país?
Não tenho conhecimento suficiente para fazer uma análise do mercado, mas vejo que há grande diversidade de produtos no Brasil, cada vez mais sofisticados e que oferecem preços melhores do que os importados. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) mostram que o Brasil é o terceiro maior consumidor de cosméticos do mundo. Nos últimos cinco anos, segundo a Abihpec, as exportações dos produtos brasileiros desse segmento cresceram 138%, alcançando US$ 484,4 milhões e, no mercado interno, as vendas subiram 5,6% e o faturamento cresceu 14% em 2006. O setor deve crescer 12% este ano! Isso mostra que a indústria está disposta a investir, principalmente em pesquisa e desenvolvimento. Acho que o principal atrativo dos cosméticos brasileiros está na diversidade da flora, com essências e aromas únicos e que a aromacologia e a produção orgânica têm muito a contribuir para esse mercado crescer ainda mais.


6. E a mídia dita especializada no segmento de beleza? Você acredita que as revistas voltadas para os cuidados com a beleza cumprem o papel de informar? Se não, o que falta?
Acho que as revistas se concentram muito em dicas de beleza e já li muita coisa contraditória. Falta divulgação de estudos científicos, escritos de modo que possam interessar o leitor, sem muito jargão. Tem que mostrar o lado prático das pesquisas. É tudo muito focado em cirurgia plástica, celulite e tratamentos caros. Claro que isso traz benefícios, mas acaba incentivando à escravidão a um padrão de beleza que nunca vamos alcançar. O mercado de beleza está se voltando para o bem-estar: produtos que propiciem momentos de relaxamento e prazer. Então, o foco precisa mudar do estímulo ao consumo para o consumo consciente.


7. Qual a maior dificuldade que alguém pode vivenciar ao procurar o chamado "produto de beleza ideal"?
Acho que a maior dificuldade é saber se o que você está adquirindo realmente vai trazer os benefícios esperados. A profusão de produtos é imensa, passo horas tentando escolher o xampu mais adequado e nem sempre levo o produto certo para casa. Aí está um grande nicho até para o varejo: investir em consultoria de beleza. É preciso treinar as pessoas que estão em contato direto com o cliente para que possam ajudar a escolher o que procuram. Mas não basta decorar os folhetos de produtos. Tem que colocar essa gente em salões de beleza ou trazer profissionais como cabeleireiros, dermatologistas, esteticistas, etc para treinar esse pessoal evitando que eles fiquem repetindo informações que os consumidores podem simplesmente ler nos rótulos dos produtos.

8. Quais as dificuldades que você enfrenta no dia-a-dia em se tratando de tratamentos de beleza e afins? Dá para manter o bom humor?
Enfrento dificuldades de todo tipo, tanto para encontrar profissionais adequados quanto na escolha de produtos. Outro dia li as dicas de um cabeleireiro que dizia que quem tem cabelos relaxados, como os meus, deve procurar produtos específicos para cabelos quimicamente tratados. Aí pensei: e se eu quiser manter os cachos, mesmo com cabelos relaxados? Uso ativador de cachos? Compro condicionador para cabelos crespos? Também descobri que as características do cabelo crespo são diferentes dos cacheados e os produtos dizem assim "para cabelos crespos ou cacheados". Não deveriam ser fórmulas diferentes? Têm muita confusão no mercado. Por isso acho fundamental o papel de consultores de beleza bem treinados. Eu não mantenho o bom humor, não, porque não gosto de ser desrespeitada como consumidora. Muitas vezes discuto com as vendedoras ou as contradigo na hora, por saber que estão me enrolando ou tentando me vender algo que não quero.


9. Quais são seus planos com a criação do Não vivo sem cosméticos?

No momento, quero aperfeiçoá-lo. Organizar melhor as informações, criar uma lista de pautas, ampliar os contatos com os segmentos envolvidos no mercado de beleza para trazer mais entrevistas. Posteriormente, quem sabe o blog possa se transformar em um site especializado, mas é preciso estudar antes porque isso demanda mais tempo e não quero deixar de lado a atividade física, o tempo para a família, o lazer...


10. Se você fosse dona de uma empresa de cosméticos por um dia, o que faria?

Incrivelmente, gosto tanto do ambiente de loja quando da indústria. Se tivesse uma loja acho que estaria mais em contato com os clientes para saber o que procuram e se são bem atendidos. Mas gosto muito mais de pesquisa, por isso acho curtiria mais fabricar os produtos, desenvolver fórmulas, pesquisar novas essências e estar em contato com biólogos, químicos, aromaterapeutas, perfumistas, aromacologistas. Meu trabalho como Engenharia Química sempre esteve ligado a isso, gosto de estar nos laboratórios, de preparar compostos e testá-los (não em animais!), de estudar suas composições e propriedades. Mas como é muito difícil manter um negócio próprio no Brasil, dada a elevada taxa de impostos, se eu tivesse dinheiro talvez investisse em uma franquia, desde que me identificasse completamente com a marca e os produtos.

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